Hoje eu queria

Hoje eu queria muitas coisas. Millenial que sou, tenho em mente e a um fácil acesso, informação e até imagens visuais de lugares, situações e objetivos que queria para mim.

Hoje eu queria ter um podcast, queria ter um canal no YouTube, queria cursar uma segunda faculdade em Sociologia (ou seria Jornalismo? Psicologia?), queria ilustrar e quem sabe até escrever um livro. Queria ter estabilidade para me mudar para meu apartamento sozinha. – eu disse que queria muitas coisas. E essas nem são todas.

Me sinto fútil escrevendo tudo isso. Sabendo que tantas outras pessoas querem coisas muito mais básicas e essenciais. Sei que sou privilegiada com recurso e tempo suficiente para pesquisar e almejar essas possibilidades.

Mas ao mesmo tempo, sinto urgência em colocar esses desejos em palavras em algum lugar físico que vai além da minha cabeça. Desejo tantas coisas e ao mesmo tempo sinto não conquistar nenhuma. Sinto não iniciar nenhuma de fato.

Imagino parágrafos e parágrafos contra argumentando a mim mesma, parágrafos cheios de justificativas para julgamentos que moram principalmente na minha cabeça do porquê desse texto. – Dentro de mim me julgo e me defendo. Me escrevo tendo minha própria mente como crítica feroz. Não do jeito construtivo. Do jeito sabotador.

Mas hoje me publico. Porque entre muitos quereres, está o de concluir projetos.

Talvez daqui 20 anos a profissão podcaster esteja ultrapassada. Mas se eu colocar força hoje em pelo menos um dos meus desejos, quem sabe a profissão do momento em 2050 não apareça muito mais naturalmente como uma possibilidade para mim?

Quero traçar o meu caminho com mais paixão. Com mais certeza que estou tentando (através das tentativas e erros) e conseguindo construir minha própria história. Tão única e ao mesmo tempo tão banal, como de todos as outras pessoas na Terra.

-ter a certeza de que minha vida e trajetória tem extrema importância e impacto na vida de alguns ao mesmo tempo que será completamente desconhecida e inútil na vida de outros faz minha alma respirar fundo, mas me lembra também de não desistir de correr atrás de pelo menos um dos meus tantos quereres

Três respiros fundos.
alívio e alegria por ter concluído esse post.

reinício

Parei de escrever por aqui, segui apenas por meios analógicos. Mas gosto da ideia de manter mais de uma forma de escrita. É como se eu pudesse ter mais de uma forma de me entender. Afinal, a escrita digitada e aberta publicamente é muito diferente da que eu mantenho para mim nos meus cadernos. – por mais que absolutamente ninguém vá ler isso, eu escrevo como se fosse, afinal a possibilidade existe.

Eu volto ao blog como um reinício entre tantos outros que estou vivendo. Finalizei o ciclo da viagem, e junto dele algumas ânsias se acalmaram e outras iniciaram. O que acho saudável na medida. Sentir novos incômodos faz a gente se mexer.

“everything is going to be alright” – tudo vai ficar bem. Galeria de Arte Moderna de Edimburgo, Escócia – janeiro de 2020.

Escrevo sem roteiro. Escrevo o pensamento que mais se repete, aquele que fala mais alto (só dentro da minha cabeça). Mas dessa vez escolhi o título antes mesmo de ter um texto. Porque eu sabia que seria um reinício de qualquer forma. Fisicamente falando no blog, mas internamente tudo tem sido reinício.

O retorno me trouxe muito mais reencontros que eu imaginava. Encontrei com pessoas e versões minhas que eu tinha deixado lá atrás há muito tempo e não imaginava ver tão cedo. Tenho entendido que preciso viver esses reencontros. Deixei muitas coisas não ditas na esperança de apaziguar relações e situações de incômodo.

Mas o não-dito se hospeda na gente. Por mais que bem escondido, a gente sente o peso daquilo que não saiu quando deveria. E dói. Externar tudo isso dói. Só que só assim pude perceber o quanto deixar guardado dói de uma maneira muito mais agressiva do que eu podia imaginar.

Dei as mãos então pra esse passado. Entendi que a cura só acontece de verdade quando a gente põe pra fora. Quando o não-dito deixa de nos habitar. Dói porque é uma parte de que tava encaixada – pesando, mas sendo parte de mim. Doeu arrancar. Ainda tá dolorido, ainda sangrando, ainda em recuperação. – mas me sinto mais leve. Me sinto mistura de dor com certeza de cura.

“There will be no miracles here” – não haverão milagres aqui. Galeria Nacional de Arte Moderna de Edimburgo, Escócia – janeiro de 2020

da ânsia de criar esse blog

Cabo da Roca, Portugal – agosto de 2019.

Carrego comigo textos e mais textos. Seja em anotações soltas pelos cadernos, em notas salvas no celular, em pensamentos que constantemente me visitam… todos frutos das viagens que minha mente faz durante as minhas caminhadas.
Nesses textos por vezes ensaiei o nome desse blog, a explicação para sua existência, ou qualquer rabisco que silenciasse a minha mente ao fazer as palavras saírem de mim.

Hoje esse projeto se torna real. E acredito que isso só foi possível porque disse a mim mesma que ele não tem a obrigação de nada. A ideia não é fazer disso meu ganha-pão e nem de longe ditar um estilo de vida a se seguir.
– ele não é para ser nada além de um projeto que traga paz. Para mim e pra quem assim se sentir ao ler!

Há um tempo já que eu escrevo sentindo a vontade de tornar uns pensamentos públicos. Lutei contra isso porque achei que devia reservar à ilustração o meu tempo de “divulgação” e por medo de me ver tão exposta compartilhando esses pensamentos e sentimentos. Mas tem pensamento que não vai embora, né?

Percebi que gastava mais energia tentando anular a ideia de publicar esses escritos ou de como iria conciliá-los com as minhas ilustrações do que de fato produzindo o que quer que fosse!

Cascais, Portugal – agosto de 2019

O “de três em três” é a realização de um projeto que nunca foi o meu foco. Mas acho que era tão necessário, que todo o resto parece fazer mais sentido agora que ele existe! (:
Desejo sinceramente que entre um texto e outro por aqui você encontre inspiração pra realizar aquele projeto que há tanto tempo você sonha, conforto ao ler meus momentos de vulnerabilidade que você se relacione e o que mais te gerar, desde que seja positivo. Porque se tem uma coisa em que eu acredito é que a escrita é ferramenta poderosa para tornar o mundo um lugar melhor!

Sem mais delongas porque sei que posso me enrolar toda querendo escrever tudo o que penso (ao mesmo tempo!). Decidi finalizar por hoje com versos de meses atrás, quando percebi que as palavras eram tão importantes para mim quanto as ilustrações e que eu não teria que escolher entre uma delas para definir quem eu sou. Acho que esse blog vem para dar mais força ainda para essa ideia!

não sei ser sem ser palavra.
nunca entendi meias conversas
aquilo que é sentido mas não é dito
pra mim não é.

eu sinto em texto. eu sou em versos
os traços e as cores me acompanham
mas só sou inteira
se eu for poesia.

Daniela Nakao, abril de 2019.

Na correria que é estar constantemente viajando, sentindo a necessidade de visitar tudo a todo tempo, estou extremamente feliz de ter passado a manhã no hostel escrevendo e tornando esse projeto real!

Beijo grande em quem tirou um tempinho pra ler! ❤

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