reinício

Parei de escrever por aqui, segui apenas por meios analógicos. Mas gosto da ideia de manter mais de uma forma de escrita. É como se eu pudesse ter mais de uma forma de me entender. Afinal, a escrita digitada e aberta publicamente é muito diferente da que eu mantenho para mim nos meus cadernos. – por mais que absolutamente ninguém vá ler isso, eu escrevo como se fosse, afinal a possibilidade existe.

Eu volto ao blog como um reinício entre tantos outros que estou vivendo. Finalizei o ciclo da viagem, e junto dele algumas ânsias se acalmaram e outras iniciaram. O que acho saudável na medida. Sentir novos incômodos faz a gente se mexer.

“everything is going to be alright” – tudo vai ficar bem. Galeria de Arte Moderna de Edimburgo, Escócia – janeiro de 2020.

Escrevo sem roteiro. Escrevo o pensamento que mais se repete, aquele que fala mais alto (só dentro da minha cabeça). Mas dessa vez escolhi o título antes mesmo de ter um texto. Porque eu sabia que seria um reinício de qualquer forma. Fisicamente falando no blog, mas internamente tudo tem sido reinício.

O retorno me trouxe muito mais reencontros que eu imaginava. Encontrei com pessoas e versões minhas que eu tinha deixado lá atrás há muito tempo e não imaginava ver tão cedo. Tenho entendido que preciso viver esses reencontros. Deixei muitas coisas não ditas na esperança de apaziguar relações e situações de incômodo.

Mas o não-dito se hospeda na gente. Por mais que bem escondido, a gente sente o peso daquilo que não saiu quando deveria. E dói. Externar tudo isso dói. Só que só assim pude perceber o quanto deixar guardado dói de uma maneira muito mais agressiva do que eu podia imaginar.

Dei as mãos então pra esse passado. Entendi que a cura só acontece de verdade quando a gente põe pra fora. Quando o não-dito deixa de nos habitar. Dói porque é uma parte de que tava encaixada – pesando, mas sendo parte de mim. Doeu arrancar. Ainda tá dolorido, ainda sangrando, ainda em recuperação. – mas me sinto mais leve. Me sinto mistura de dor com certeza de cura.

“There will be no miracles here” – não haverão milagres aqui. Galeria Nacional de Arte Moderna de Edimburgo, Escócia – janeiro de 2020

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